Textos e poemas reunidos

E a todos cabe fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.

E que ninguém me cobre quanto à qualidade do último…

Deixo aqui os textos que se gostariam literários escritos em diferentes datas, do mais antigo ao mais recente, no blog Pasargada´s Site.


Uma aleluia em processo

Jun 20, ’08 1:31 PM
for everyone

A razão resistia em se fazer presente, espetando-me as vísceras e engolindo todas as minhas palavras. Mas os uivos da respiração desesperadamente lambiam o seu lugar e me babavam o corpo em tremores e fadigas ancestrais. A boca tímida, dissimulava a tudo ignorar e ainda se movimentava com serenidade maternal. Porém, já com todas as idéias meladas entre as pernas, de uma loucura mais sã do que a sanidade, sonhava o espinho e o caule de uma flor às avessas, brotada para dentro, inchada de orvalho e sangue, descabaçada da terra. Queria me socasse tudo, que se enfiasse em mim, que me rompesse as fibras da carne, que me chupasse os ossos, arrotando aos berros todos os pecados escondidos em meu silêncio. O caralho que me parta! Que me violente o tempo e que me sodomize todos os verbos! E foda as nádegas da moralidade, lavando em sais e porra todas as entranhas de meus ais, transformando o quarto em santuário e o pecado em sacrifício e oração. Que me entre, que me saia, que me esfregue o útero e me morda todos os sentidos e me coma o pudor e mastigue os seios de minha feminilidade até que minhas lembranças se dissolvam em grito e espasmo e eu consiga ouvir novamente as canções proferidas em gozo pelos oráculos em rituais dionisíacos. E desvirgine o claustro de todas as suas paredes e sangre no ritual dessa reza, divina, todas as amarras de minha origem.

Ó MEU Deus, dai me força e compasso nessa dança-reza, incesto sonhado por Narciso, para que junto com o leite desse sexo, finalmente seja derramada de minha boca a espuma inteligível, o Amém desta oração: EU SOU A SUA PUTA!

Apenas uma viajada em uma das frases do livro Um copo de cólera, do Raduan Nassar.

“[…]as palavras- impregnadas de valores- cada uma trazia ,sim, em seu bojo, um pecado original ( assim como atrás de cada gesto sempre se escondia uma paixão)…”


Perfurações íntimas

Jun 28, ’11 2:50 PM
for everyone

Quando eu nasci, um anjo torto

me disse: Vai, Yara! E seja imagem e semelhança.

Corpo incorreto

Contorno choco…

O torto da ideia do olho

o osso do fundo do oco

sangue

entranhas…

Estranha.

Um soco em ponta de vida

Carne sem rima

escultura de Sal

As mãos quebradas

Carne-Cal

Carne-caustica

Em praias lisas

de marés retilíneas

galhos uniformes

folhas geométricas

O coração correto

a carne in-core-recta

Só poderia mesmo dar nisto(!):

sentimentos torpes

poesia manca

No liso dorso do papel

um tropeço na artéria dos sonhos.

A amante exigente

Sep 27, ’11 9:19 AM
for everyone

Quero tudo.

É direito meu.

Sem essa de você não respeita a minha individualidade!

Quero seus lábios e seus bagos

e também

a  dor estuporada do parto de seus sonhos

O impreciso furioso de seus olhos

As lâminas frias

ardidas

de suas Palavras

a empalar-me a carne

Sem essa de eufemismos

tranquilismos

Pode vir

Sem piedade

Anda!

Rasgue-me de uma vez por todas!

(toda vez)

Cruelmente!

Desosse-me se assim for …

Preciso

(e se não for também)

Eu preciso…

Sem demora

Estupre-me logo essas certezas!

Entenda

Eu quero

a sua paz

e o seu desespero

Quero que aprenda

a não ser o bastante.

Que sinta culpa

mesmo

Pelos os poemas que ainda deve-me a escrita

e pelos livros que ainda deve-me a leitura

Que na hora exata,

irritantemente,

apenas insinue

aquelas palavras incertas

E no momento impreciso

jogue-me na cara

impertinentes intimidades.

Espero que

pelo menos

consiga ser rude o suficiente

E  como regalo de amor

rezarei

todos os dias

para que sejas fênix

com toda dor de ser fênix

Morrer

em ardor e desalento

Pois só há beleza

aos  que entrelaçada às fibras,

carnemente

carnadura,

carreguem a cicatriz

dos que  experimentam

a cada pôr do sol

a dor de todos os dias virar pó

e mesmo sabendo dos flagelos que o próximo anoitecer lhes promete

não nos prive,

querido,

do  desnascer de cada dia.


Aguancias

Nov 22, ’11 8:56 AM
for everyone

O meu mais duro fundo
agora
mole maré
Aguada

chupar-amar

Jan 6, ’12 9:30 AM
for everyone

A anus,

quente piscadela irônica,

mostra-lhe

a língua

enquanto

os lábios

chupam,

compassados,

o seu medo de amar

enquanto

trepas.

E o que resta dos ombros

Jan 24, ’12 1:18 PM
for everyone

Um humilde diálogo com o poema de Drummond.

Os ombros

ainda suportam

O peso da mão de uma criança

Apagada

após o extermínio

Dos não pagadores de impostos

almas secas

sonham concretadas

as semelhanças entre São Paulo e Nova York

E os ombros,

agora quebrados,

continuam a suportar esse mundo .

Não se pode dizer o mesmo do coração.

Descontornos

Feb 1, ’12 10:52 AM
for everyone

Nas veias

lãs e linhos

enchentes

emaranhadas

Poesia

desalinhada

O coração

maciês rebelde

contamina

a fibra

do papel

com as linhas

do sangue

e eis

que

aqui

letramentos

em

desde

linhos

Ninhos

cem

contornos


Quatro Marias

Feb 9, ’12 7:22 AM
for everyone

Maria  J.Pinto Fernandez,

diretora de RH de uma gigante do minério,

empresária de sucesso,

ícone de independência feminina,

nunca gozou.

Maria Joana,

feminista,

ativista,

leu O segundo sexo,

e

inconfessavelmente,

nunca gozou.

Maria das Dores,

não é empresária,

não leu o Segundo Sexo,

de bom Sucesso

feministamente

adora pedir

prô seu cheirim,

prô seu amorzim,

lamber bastante enquanto goza.

Maria sem vergonha,

florzinha

dá mais que chuchu na cerca,

mulher arretada

sem vergonha, sem vergonha…

goza bastante

enquanto

pede

ao seu

amorzinho,

seu cherinho,

lhe chupar

benzinho

pois

após ter lido

O Segundo Sexo

ficou louca de vontade

de foder com o primeiro.

Óca

Feb 28, ’12 1:25 PM
for everyone

Oca -vida

Di vi di da

p  e q u e    n i na

di      a      gra ma da

(s)

h     o    r     a     s

n      u    l     a    s

m      u   l     a    s

Poesiajuntatudo

DesorganizaTodos

tudonecessariamente

LetraCheia

Contramão

Freio ooooooooooooooooooooo

Ooo

TEMPO

O

Sil(^)encio

Lento

o

o

o

o

!

a

(o)

lento

de                 lírio

Deva -neio

(gar)

apesar de

vitais,

Fatais

Pobres

de                lineios!

Com o perdão

das rimas

e dos

ai! ai! ais!

Soluço

sonhado

no vácuo

da

letra

Cinza

da memória

Poesia:

ÓcaVida.

Galeria

Sobre ser jovem

[…] Na falta em se refletir moralmente (eticamente) sobre nossas atitudes, disciplinados a dar a resposta que os pais querem ouvir, a que os professores querem ler, a que o patrão quer realizada, já prescrita desde muito cedo pela televisão, acostumamo-nos a nos pautar por uma ética da mediocridade. Continuar lendo

Diálogos com Carlos e Cecília

Roland Bartes, Greimas entre outros estudiosos afirmam que a narrativa está presente em todas as civilizações, de todos os povos e é carater intríseco do que é humano. Assim, creio, podemos dizer do diálogo.  Afinal, uma narrativa a quem? De quem?

E em um de meus diálogos com Carlos Drummond – Poema de Sete Faces – e Cecilia Meirelles – Pus meu sonho num navio, nasceu, em tom menor, mas já teimoso, o poema que deixo aqui registrado.

Lembro aos que por estas linhas se enroscarem, que a ideia deste espaço é a livre presença do erro, do treino, ou como bem coloco no título, do ensaio. Que o tom ensaístico esteja a vontade para aconchegar-se aqui, em meus escritos.

 

Um abraço a todos,

 

A ensaísta.  

Perfurações íntimas

Quando eu nasci, um anjo torto

me disse: Vai, Yara! E seja imagem e semelhança.

Corpo incorreto

Contorno choco…

O torto da ideia do olho

o osso do fundo do oco

sangue

entranhas…

Estranha.

Um soco em ponta de vida

Carne sem rima

escultura de Sal

As mãos quebradas

Carne-Cal

Carne-caustica

Em praias lisas

de marés retilíneas

galhos uniformes

folhas geométricas

O coração correto

a carne in-core-recta

Só poderia mesmo dar nisto(!):

sentimentos torpes

poesia manca

No liso dorso do papel

um tropeço na artéria dos sonhos.

Um dialogo com:

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do -bigode,

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.

De Alguma poesia (1930)

Pus meu sonho num navio

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

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Aos leitores do blog

Deixo minhas desculpas em não cumprir com a atualização do blog.

Deixo minhas desculpas em não cumprir com a atualização do blog.

Os motivos foram dois:
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A voz da criança e a criação da literatura infantil no Brasil

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Seria possível fazer Literatura (com toda a grandiosidade do termo) ao público infantil? Como seria a materialização em forma literaria a esse tipo de leitor? Quais seriam as caraterísticas e os recursos que um autor poderia utilizar para construir um texto que, ao mesmo tempo, respeitasse e expandisse o limite de conhecimento da criança e também proporcionasse prazer estético a esses pequeninos grandes leitores? Continuar lendo

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Por uma arte de Conduta: o sensível e o político na estranheza das obras de Bruguera

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Como descrever uma experiência em que o ético simplesmente pulveriza qualquer tentativa de beleza e, ao mesmo tempo, a presentifica por meio de sua anulação? Foi sob o impacto dessas idéias e sob um sentimento ambíguo em observar um “simulacro auto-explosivo” que me deparei com o trabalho de Tania Bruguera. Continuar lendo

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Anedota Pecuniária: uma leitura da não moral da história

[…] o ardor da espetada feita em Anedota Pecuniária reside em uma ficção que dramatiza um enredo em que o produto não é apenas o que é vendido, no caso as sobrinhas, mas o próprio vendedor.
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